terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Escravos da beleza e da moda.

Outro dia estava conversando com minha amiga Renata, que tive o prazer de compartilhar os seis anos da minha vida de graduando, surgiu um assunto que, como diz Bras Cubas no livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas" do Machado de Assis, ficou pendurado no trapézio das minhas idéias, como uma idéia fixa. Tudo começou quando ela, Renata, falou que estava chocada, inconformada e desolada como as pessoas não dão importância devida ao que, digamos, é eterno, infinito. Em outras palavras, como as pessoas estão esquecendo do conteúdo, sabedoria, carater, dignidade e estão passando a valorizar demasiadamente o corpo.
Não estou criticando as pessoas que se preocupam com o corpo, pois cuidar do corpo e da saúde faz parte de uma vida saudável e equilibrada. O problema estão nos extremos e nos excessos. Uma pessoa que só se preocupa com a sua beleza, com o seu corpo, se torna muito efemera, fútil e até vulgar. Toda essa beleza corporal e juvenil é efêmera, uma hora vai acabar. Ou devido à dinâmica do tempo ou à moda. Toda essa estética do corpo é ditado pela moda. O que é bonito hoje, amanhã não pode ser mais o bonito. Para provar isso, basta volta no tempo. Na época do Renascimento a mulher dita bela, desejada eram as gordinhas. Sim, as porpetinhas de hoje. Depois veio a moda das pernas bem torneadas. Em um tempo mais adiante as magricelas eram a bola da vez. Ou seja, toda essa beleza é efemera. Não vamos também ao outro extremo, não se cuidar. Convenhamos, assim como na publicidade, tudo depende do seu público alvo. Se você quer uma pessoa bem cuidada, você se prepara para atingir pessoas cuidadas. Se você quer pessoas não cuidadas, você se prepara para pessoas não cuidadas.
Ter como prioridade da vida o excesso de cuidado com o corpo pode tornar a pessoa desinteressante. Para essas pessoas, celulite e gordura são crimes inafiançáveis. Rugas, manchas, problemas na pele é inaceitável. Amizade é bobeira. Amor é cafona. Sabedoria é brega. Ficar sem conhecer a pessoa é dignidade. O Efemero é valorizado e o que é eterno é esquecido. Daqui há algum tempo, a moda passou, acabou. Sabedoria, carater, dignidade atravessam o tempo, são atemporais. Cuidado com você, pra não ficar datadão com a busca desenfreada pela moda.
Cuide-se, do seu corpo, mas também da mente. Cuidado com os excessos e exageros. Valorize e cuide de tudo o que for verdadeiro e deixe tudo o que não for passar. "Cuide bem do seu amor, seja quem for".


Dicas:


Esse assunto, ou melhor, essa, digamos, revolta da Renata, coincidiu com o livro que estou lendo agora, que se chama Os Belos e Malditos. Esse trata dos abusos e alegrias superficiais, da valorização da vulgaridade e do efemero, do excesso cometido pelos jovens da alta sociedade da Era do Jazz.










Citado no começo do post. Fica dica pra aqueles não leram essa obra.








Um comentário:

  1. Nossa, allan, tb escrevi sobre a loucura da procura pela cirurgia plástica, pois trabalho na saúde e vejo tanta barbaridade acontecendo, maso que mais me dói é ver as meninas de 15 anos ganhando próteses mamárias de silicone de presente de niver dos pais.
    Fazer o que? Isso é a chamada "modernidade"...deve ser um dos motivos que me fazem sentir muito antiga, rsrsrsrsrs.
    Bjs, amigão.

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